
Este guia é para quem tem moradia ou garagem própria e quer carregar o carro elétrico em casa com segurança. Explicamos como avaliar a potência disponível, porque é que o carregamento precisa de um circuito só para ele e quais as diferenças entre ligar o carro a uma tomada doméstica e instalar uma wallbox.
Porque é que o carro elétrico exige tanto da instalação
A maior parte dos aparelhos domésticos potentes funciona durante pouco tempo: o forno uma hora, a máquina de lavar um ciclo, o secador alguns minutos. O carro é diferente. Durante o carregamento pode puxar vários quilowatts de forma contínua, durante muitas horas seguidas. Um cabo ou uma ligação que aguentam picos curtos podem não aguentar esse esforço prolongado e começar a aquecer.
Passo 1: avaliar a potência contratada
Comece por ver na fatura de eletricidade qual é a sua potência contratada, em kVA. Valores como 3,45, 4,6 ou 5,75 kVA são comuns em casas com consumo moderado e deixam pouca margem quando se junta um carregador ao forno, à placa e ao termoacumulador.
O eletricista avalia as cargas da casa, os hábitos de consumo e a potência do carregador pretendido. Daí pode resultar uma de três situações:
- A potência atual chega, sobretudo se o carregamento for feito à noite e com potência de carga moderada.
- É preciso aumentar a potência contratada, um pedido que passa pelo seu comercializador e pela E-REDES.
- Compensa passar a trifásico, para ter mais potência disponível ou usar um carregador trifásico.
Muitas wallboxes podem ser ligadas a um medidor que acompanha o consumo da casa e reduz a velocidade de carga quando o forno ou a placa estão ligados. Em muitos casos, isto evita um aumento de potência e os disparos do disjuntor de entrada.
Passo 2: criar um circuito dedicado
O carregamento deve ter sempre um circuito próprio, que sai diretamente do quadro elétrico e não alimenta mais nada. Ligar o carro a uma tomada que já serve a garagem, a máquina de lavar ou a iluminação é a receita para sobreaquecimentos e disparos.
O que leva um circuito dedicado
- Cabo com secção adequada à corrente do carregador e ao comprimento do percurso.
- Disjuntor próprio, dimensionado para esse cabo.
- Proteção diferencial adequada ao carregamento de veículos elétricos, que alguns carregadores já integram parcialmente.
- Ligação à terra eficaz, verificada com medição.
- Proteção mecânica do cabo e montagem do ponto de carga num local abrigado ou com equipamento próprio para exterior.
Distância entre o quadro e a garagem
Quanto mais longe estiver o ponto de carga do quadro, maior deve ser a secção do cabo para evitar quedas de tensão e aquecimento. Em moradias onde a garagem fica no outro extremo da casa, pode compensar instalar um pequeno quadro parcial junto ao carregador.
Passo 3: escolher entre tomada doméstica e wallbox
Tomada doméstica com o cabo do carro
Muitos carros trazem um cabo que liga a uma tomada comum. É útil como recurso ocasional, mas não foi pensado para uso diário intensivo. A carga é lenta e a tomada fica sujeita a corrente elevada durante horas, o que, numa tomada antiga ou partilhada com outros aparelhos, pode provocar aquecimento.
Nunca carregue o carro através de uma extensão, de uma tomada múltipla ou de uma tomada antiga sem terra. Se usa o cabo do carro numa tomada doméstica, ela deve estar num circuito próprio, em bom estado, e ser verificada por um eletricista.
Wallbox
A wallbox é um carregador fixo, montado na parede, ligado ao circuito dedicado. Oferece uma carga mais rápida e mais segura, comunica com o carro para ajustar a corrente e muitas permitem programar horários e controlar o consumo por aplicação.
- Carregamento mais rápido, monofásico ou trifásico conforme a instalação.
- Proteções próprias e cabo fixo, sem desgaste de tomadas.
- Possibilidade de programar a carga para as horas de vazio, se tiver tarifa bi-horária ou tri-horária.
- Opção de gestão dinâmica de potência e integração com painéis solares, em alguns modelos.
Para quem usa o carro todos os dias, a wallbox é quase sempre a melhor escolha. A tomada doméstica fica como solução de recurso.
Passo 4: documentação e escolha do técnico
A instalação deve ser feita por um eletricista certificado pela DGEG. Se for preciso alterar a potência, mudar o tipo de alimentação ou intervir de forma significativa na instalação, podem ser necessários documentos técnicos como a ficha eletrotécnica ou o termo de responsabilidade. O técnico indica-lhe o que se aplica ao seu caso.
Resumo para quem tem moradia ou garagem própria
- Veja a potência contratada na fatura.
- Peça uma avaliação da instalação e do quadro.
- Decida entre manter a potência com gestão dinâmica, aumentar a potência ou passar a trifásico.
- Instale um circuito dedicado com proteções adequadas e ligação à terra verificada.
- Opte por uma wallbox se carrega com frequência.
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