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Mobilidade elétrica · 5 min de leitura

Como preparar a instalação elétrica para carregar o seu carro elétrico em casa

Carregar o carro em casa, durante a noite, é a forma mais cómoda de ter um elétrico. Mas um carro a carregar é a maior carga que a maioria das casas alguma vez teve, e a instalação tem de estar preparada para isso.

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Como preparar a instalação elétrica para carregar o seu carro elétrico em casa

Este guia é para quem tem moradia ou garagem própria e quer carregar o carro elétrico em casa com segurança. Explicamos como avaliar a potência disponível, porque é que o carregamento precisa de um circuito só para ele e quais as diferenças entre ligar o carro a uma tomada doméstica e instalar uma wallbox.

Porque é que o carro elétrico exige tanto da instalação

A maior parte dos aparelhos domésticos potentes funciona durante pouco tempo: o forno uma hora, a máquina de lavar um ciclo, o secador alguns minutos. O carro é diferente. Durante o carregamento pode puxar vários quilowatts de forma contínua, durante muitas horas seguidas. Um cabo ou uma ligação que aguentam picos curtos podem não aguentar esse esforço prolongado e começar a aquecer.

Passo 1: avaliar a potência contratada

Comece por ver na fatura de eletricidade qual é a sua potência contratada, em kVA. Valores como 3,45, 4,6 ou 5,75 kVA são comuns em casas com consumo moderado e deixam pouca margem quando se junta um carregador ao forno, à placa e ao termoacumulador.

O eletricista avalia as cargas da casa, os hábitos de consumo e a potência do carregador pretendido. Daí pode resultar uma de três situações:

  • A potência atual chega, sobretudo se o carregamento for feito à noite e com potência de carga moderada.
  • É preciso aumentar a potência contratada, um pedido que passa pelo seu comercializador e pela E-REDES.
  • Compensa passar a trifásico, para ter mais potência disponível ou usar um carregador trifásico.
Gestão dinâmica de potência

Muitas wallboxes podem ser ligadas a um medidor que acompanha o consumo da casa e reduz a velocidade de carga quando o forno ou a placa estão ligados. Em muitos casos, isto evita um aumento de potência e os disparos do disjuntor de entrada.

Passo 2: criar um circuito dedicado

O carregamento deve ter sempre um circuito próprio, que sai diretamente do quadro elétrico e não alimenta mais nada. Ligar o carro a uma tomada que já serve a garagem, a máquina de lavar ou a iluminação é a receita para sobreaquecimentos e disparos.

O que leva um circuito dedicado

  • Cabo com secção adequada à corrente do carregador e ao comprimento do percurso.
  • Disjuntor próprio, dimensionado para esse cabo.
  • Proteção diferencial adequada ao carregamento de veículos elétricos, que alguns carregadores já integram parcialmente.
  • Ligação à terra eficaz, verificada com medição.
  • Proteção mecânica do cabo e montagem do ponto de carga num local abrigado ou com equipamento próprio para exterior.

Distância entre o quadro e a garagem

Quanto mais longe estiver o ponto de carga do quadro, maior deve ser a secção do cabo para evitar quedas de tensão e aquecimento. Em moradias onde a garagem fica no outro extremo da casa, pode compensar instalar um pequeno quadro parcial junto ao carregador.

Passo 3: escolher entre tomada doméstica e wallbox

Tomada doméstica com o cabo do carro

Muitos carros trazem um cabo que liga a uma tomada comum. É útil como recurso ocasional, mas não foi pensado para uso diário intensivo. A carga é lenta e a tomada fica sujeita a corrente elevada durante horas, o que, numa tomada antiga ou partilhada com outros aparelhos, pode provocar aquecimento.

Extensões e tomadas antigas não servem

Nunca carregue o carro através de uma extensão, de uma tomada múltipla ou de uma tomada antiga sem terra. Se usa o cabo do carro numa tomada doméstica, ela deve estar num circuito próprio, em bom estado, e ser verificada por um eletricista.

Wallbox

A wallbox é um carregador fixo, montado na parede, ligado ao circuito dedicado. Oferece uma carga mais rápida e mais segura, comunica com o carro para ajustar a corrente e muitas permitem programar horários e controlar o consumo por aplicação.

  • Carregamento mais rápido, monofásico ou trifásico conforme a instalação.
  • Proteções próprias e cabo fixo, sem desgaste de tomadas.
  • Possibilidade de programar a carga para as horas de vazio, se tiver tarifa bi-horária ou tri-horária.
  • Opção de gestão dinâmica de potência e integração com painéis solares, em alguns modelos.

Para quem usa o carro todos os dias, a wallbox é quase sempre a melhor escolha. A tomada doméstica fica como solução de recurso.

Passo 4: documentação e escolha do técnico

A instalação deve ser feita por um eletricista certificado pela DGEG. Se for preciso alterar a potência, mudar o tipo de alimentação ou intervir de forma significativa na instalação, podem ser necessários documentos técnicos como a ficha eletrotécnica ou o termo de responsabilidade. O técnico indica-lhe o que se aplica ao seu caso.

Resumo para quem tem moradia ou garagem própria

  1. Veja a potência contratada na fatura.
  2. Peça uma avaliação da instalação e do quadro.
  3. Decida entre manter a potência com gestão dinâmica, aumentar a potência ou passar a trifásico.
  4. Instale um circuito dedicado com proteções adequadas e ligação à terra verificada.
  5. Opte por uma wallbox se carrega com frequência.

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Perguntas frequentes

Ainda tem dúvidas?

Posso carregar o carro elétrico numa tomada normal?

Pode, de forma ocasional, desde que a tomada esteja em bom estado, num circuito próprio e com ligação à terra. Para uso diário, uma wallbox num circuito dedicado é mais rápida e mais segura.

Tenho de aumentar a potência para instalar uma wallbox?

Nem sempre. Depende da potência atual, das outras cargas e da potência de carga pretendida. Com gestão dinâmica de potência, muitas casas conseguem carregar sem aumentar a potência contratada.

Preciso de trifásico para ter uma wallbox?

Não. Existem wallboxes monofásicas adequadas à maior parte das casas. O trifásico permite carregar mais depressa, mas só compensa se as necessidades o justificarem.

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