
A instalação elétrica de uma casa trabalha todos os dias, sem descanso, e raramente lhe damos atenção até algo correr mal. Cabos que aquecem, ligações que se soltam com as variações de temperatura, pó acumulado no quadro e aparelhos cada vez mais potentes vão desgastando o sistema aos poucos. A manutenção preventiva serve para apanhar estes problemas enquanto ainda são pequenos, baratos de resolver e sem risco para as pessoas.
Neste artigo explicamos o que pode verificar sozinho, sem abrir nada nem mexer em partes com tensão, e o que deve ficar sempre a cargo de um eletricista certificado.
O que pode verificar sozinho, com segurança
Há uma série de verificações visuais que qualquer pessoa pode fazer, uma ou duas vezes por ano, apenas com atenção e bom senso. A regra é simples: olhar, cheirar e tocar no espelho das tomadas, nunca desmontar.
Inspeção visual de tomadas, interruptores e fichas
- Espelhos de tomadas ou interruptores rachados, soltos ou com marcas escuras à volta dos orifícios.
- Tomadas onde as fichas entram com folga ou caem sozinhas.
- Fichas e cabos de aparelhos com o isolamento gasto, dobrado ou remendado com fita.
- Tomadas ou interruptores mornos ao toque quando não há nada de especial ligado.
- Cheiro a plástico queimado perto de uma tomada, de um candeeiro ou do quadro.
Olhar para o quadro elétrico sem o abrir
Com a porta do quadro aberta, mas sem retirar a tampa que protege as ligações, confirme se os disjuntores estão identificados, se existe pelo menos um disjuntor diferencial e se não há marcas de calor, plástico deformado ou zumbidos. Se a sua casa ainda tem fusíveis de rosca ou de cartucho, é um sinal de que a instalação merece uma avaliação profissional.
Carregar no botão de teste do diferencial
O disjuntor diferencial tem um botão de teste, normalmente marcado com a letra T. Ao carregar nele, o diferencial deve disparar de imediato e cortar a corrente aos circuitos que protege. Depois basta voltar a levantar a alavanca. Se não disparar, ou se não voltar a armar, contacte um eletricista: um diferencial que não atua não está a proteger ninguém.
Associe as verificações a uma data fixa, como a mudança da hora em março e em outubro. Nesse dia teste o diferencial, passe os olhos pelas tomadas e veja se há extensões a mais espalhadas pela casa.
Evitar sobrecargas no dia a dia
Uma parte importante da manutenção preventiva não exige ferramentas, apenas hábitos. A maior parte dos problemas que encontramos em casas particulares começa com circuitos sobrecarregados.
- Não ligue vários aparelhos de aquecimento na mesma extensão ou na mesma tomada múltipla.
- Evite extensões ligadas em cadeia, umas às outras.
- Aparelhos potentes, como forno, placa, máquina de lavar, máquina de secar, esquentador elétrico ou termoacumulador, devem ter tomada ou circuito próprio.
- Desenrole completamente as extensões de enrolador quando as usa com cargas elevadas, para não aquecerem.
- Se o mesmo disjuntor dispara sempre que liga dois aparelhos ao mesmo tempo, não insista: o circuito está a pedir ajuda.
O que deve ficar a cargo de um profissional
Há tarefas de manutenção que implicam abrir o quadro, medir e apertar ligações, ou mexer em cabos com tensão. Essas devem ser feitas por um eletricista certificado pela DGEG, com equipamento de medição adequado.
Reaperto e limpeza do quadro elétrico
Com o tempo, os bornes dos disjuntores podem ganhar folga devido às dilatações provocadas pelo calor. Uma ligação mal apertada aquece, degrada o isolamento e pode originar um incêndio dentro do próprio quadro. O eletricista desliga a instalação, retira o pó e os detritos que dificultam a ventilação e reaperta as ligações com segurança.
Medições e verificação da ligação à terra
Só com aparelhos de medição é possível confirmar o estado do isolamento dos cabos, a continuidade dos condutores de proteção e a eficácia da ligação à terra. Estes valores não se veem a olho nu, mas são eles que dizem se o diferencial vai conseguir atuar quando for preciso.
Substituição de componentes gastos
Tomadas com contactos lassos, interruptores que faíscam, disjuntores que disparam sem razão aparente ou cabos com isolamento ressequido devem ser substituídos. Adiar estas trocas costuma sair mais caro, porque o problema tende a alastrar a outros componentes.
Por trás da tampa do quadro existem partes com tensão mesmo com alguns disjuntores desligados. Apertar parafusos, trocar disjuntores ou mexer em cabos sem formação e sem equipamento adequado pode causar choque elétrico grave ou curto-circuito.
Com que frequência fazer uma revisão profissional
Não existe um prazo único que sirva para todas as casas. Uma moradia recente, com quadro moderno e pouca carga, precisa de menos atenção do que um apartamento antigo, com cabos originais e muitos aparelhos novos. Como orientação, faz sentido pedir uma revisão:
- Quando compra ou arrenda uma casa usada.
- Antes de instalar equipamentos potentes, como ar condicionado, placa de indução ou carregador para carro elétrico.
- Depois de uma inundação, de uma infiltração de água ou de obras.
- Sempre que surgem sinais de alerta: disparos frequentes, luzes que piscam, cheiro a queimado ou tomadas quentes.
- Periodicamente, em instalações antigas ou muito exigidas, mesmo sem sinais visíveis.
Os benefícios de prevenir em vez de remediar
Uma instalação bem mantida falha menos, protege melhor os eletrodomésticos e dá-lhe tranquilidade. Evita as avarias que acontecem sempre na pior altura, à noite ou ao fim de semana, e reduz o risco de incêndio de origem elétrica. Além disso, ligações em bom estado aquecem menos, o que significa menos energia desperdiçada em calor.
No Piquete Eletricista fazemos revisões preventivas em casas particulares, lojas e escritórios, com orçamento grátis. Se notar algum dos sinais descritos neste artigo, contacte-nos: avaliamos a instalação e explicamos-lhe com clareza o que precisa de ser feito agora e o que pode esperar.
