
Placa, forno, exaustor, frigorífico, máquina de lavar loiça, micro-ondas, máquina de café, torradeira e, em muitas casas, também a máquina de lavar roupa. A cozinha concentra uma parte importante do consumo elétrico e, ao mesmo tempo, tem humidade, vapor e gordura. Por isso exige uma instalação pensada de raiz, e não apenas umas tomadas a mais.
Circuitos dedicados para os grandes consumidores
O princípio mais importante é separar. Os equipamentos de maior potência devem ter circuitos próprios, cada um com o disjuntor adequado à secção do cabo que o alimenta.
- Placa de cozinhar (indução ou vitrocerâmica): circuito exclusivo, com cabo e proteção dimensionados para a potência indicada pelo fabricante.
- Forno: circuito próprio, sobretudo se for usado ao mesmo tempo que a placa.
- Máquina de lavar loiça e máquina de lavar roupa: preferencialmente em circuitos separados.
- Frigorífico: convém não partilhar o circuito com aparelhos que disparam com frequência, para não ficar desligado sem dar por isso.
- Tomadas de bancada: um ou mais circuitos para os pequenos eletrodomésticos.
Muitas placas de indução têm potências elevadas e algumas permitem limitar a potência máxima nas definições. Antes de escolher, confirme com o eletricista se o circuito, o quadro e a potência contratada suportam o equipamento. Pode evitar disparos e trabalhos extra.
Proteção diferencial e ligação à terra
Numa cozinha, a proteção das pessoas assenta em dois elementos que trabalham juntos: a ligação à terra, que encaminha uma eventual fuga de corrente, e o disjuntor diferencial de 30 mA, que corta a alimentação quando a deteta. Todas as tomadas e equipamentos com partes metálicas devem estar ligados à terra.
Fichas triplas baratas, adaptadores sem contacto de terra e extensões enroladas atrás dos móveis anulam a proteção e podem aquecer. Se faltam tomadas na cozinha, a solução é acrescentar pontos na instalação, não multiplicar extensões.
Onde colocar as tomadas
A localização das tomadas é tão importante como o número. Uma cozinha bem planeada tem tomadas onde se usam os aparelhos, a uma distância segura da água e do calor.
- Afaste as tomadas de bancada do lava-loiça e da placa, para evitar salpicos e calor direto.
- Distribua tomadas ao longo da bancada, para não ter cabos a atravessar zonas de trabalho.
- Preveja tomadas atrás ou junto dos eletrodomésticos encastrados, acessíveis para manutenção.
- Coloque uma tomada para o exaustor à altura certa, escondida pelo móvel.
- Pense em tomadas com USB ou num ponto para carregar telemóveis fora da zona de preparação.
Cabos, caixas e materiais
Os cabos devem ter secção adequada ao circuito e ser instalados em tubo nas paredes, com caixas de derivação acessíveis. Em zonas sujeitas a salpicos ou vapor, as tomadas e caixas devem ter um índice de proteção (IP) compatível com o local. Por cima das bancadas, evite ligações escondidas atrás de painéis sem acesso.
Iluminação da cozinha
Uma boa cozinha precisa de dois níveis de luz: iluminação geral no teto e iluminação de tarefa sobre a bancada, normalmente com fitas ou réguas LED debaixo dos armários. Escolha luz neutra, que mostra bem as cores dos alimentos, e prefira equipamentos com proteção adequada junto ao exaustor e ao lava-loiça.
Remodelar a cozinha: a ordem certa
- Defina a disposição dos móveis e a lista de eletrodomésticos com as potências.
- Peça ao eletricista que planeie os circuitos e a posição das tomadas com base nesse projeto.
- Execute os roços, tubos e cabos antes do estuque e dos azulejos.
- Atualize o quadro, se necessário, com novos circuitos e proteção diferencial.
- Monte a aparelhagem e os equipamentos depois dos acabamentos.
- Teste todos os circuitos e o diferencial antes de começar a usar.
Sinais de que a instalação da cozinha não chega
- O quadro dispara quando liga o forno e a placa, ou a máquina e o micro-ondas.
- Tomadas escurecidas ou fichas que aquecem.
- Extensões permanentes atrás dos eletrodomésticos.
- Tomadas sem terra ou com tampas partidas.
- Formigueiro ao tocar em equipamentos metálicos ou na torneira.
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