
Em Lisboa, na Margem Sul e um pouco por todo o país há muitos prédios construídos entre os anos 50 e 80 cuja instalação elétrica nunca foi renovada. Pode estar a funcionar, mas isso não significa que esteja segura. Conhecer os problemas mais frequentes ajuda a decidir o que precisa de ser feito e por que ordem.
1. Quadro de fusíveis ou sem proteção diferencial
Muitos apartamentos antigos ainda têm quadros com fusíveis de rosca ou de cartucho, ou disjuntores antigos sem disjuntor diferencial. Os fusíveis protegem contra curto-circuitos e sobrecargas, mas não protegem as pessoas contra choques elétricos. Essa é a função do diferencial de 30 mA, que corta a corrente quando deteta uma fuga.
É também comum encontrar fusíveis "reforçados" com arame ou substituídos por calibres maiores para deixarem de fundir. É uma prática perigosa: o fusível deixa de proteger o cabo, que pode aquecer até se danificar.
2. Falta de ligação à terra
Em muitos prédios antigos as tomadas não têm o terceiro contacto ligado, ou nem existe condutor de terra nas paredes. Sem terra, uma avaria num eletrodoméstico pode deixar a carcaça sob tensão sem que nada dispare. O problema é mais grave em cozinhas e casas de banho, onde há água e equipamentos metálicos.
Se sentir formigueiro ao tocar numa máquina de lavar, numa torneira ou no esquentador, desligue o quadro geral e não volte a usar esse equipamento. Pode haver uma fuga de corrente sem proteção a atuar. É uma situação para resolver com urgência.
3. Cabos antigos e isolamento degradado
Os cabos instalados há várias décadas têm isolamentos que endurecem e estalam com o tempo e com o calor. Também é frequente encontrar secções pequenas, pensadas para consumos muito inferiores aos atuais, e caixas de derivação com ligações feitas com fita isoladora.
- Isolamento quebradiço que se desfaz ao mexer nos fios.
- Fios de cores que não respeitam a identificação atual de fase, neutro e terra.
- Emendas dentro das paredes ou nos tetos sem caixa acessível.
- Tomadas e interruptores que aquecem ou mudam de cor.
4. Poucas tomadas e excesso de extensões
Uma sala antiga pode ter apenas uma ou duas tomadas, e a cozinha poucas mais. A solução improvisada é encadear extensões e fichas triplas, o que concentra consumos num único ponto e aumenta o risco de aquecimento. Equipamentos como aquecedores, fornos e placas nunca devem ser ligados a extensões.
5. Instalação subdimensionada para o consumo atual
Quando a cozinha, o forno, a máquina de lavar e o aquecimento partilham o mesmo circuito, os disparos são inevitáveis. Muitas vezes o problema não é a potência contratada, mas a distribuição dos circuitos dentro de casa. Um quadro moderno separa iluminação, tomadas, cozinha, máquinas e climatização em circuitos próprios, cada um com a proteção adequada.
6. Problemas no prédio: coluna montante e ramal
Em alguns casos a limitação não está no apartamento, mas no prédio. Colunas montantes antigas podem não suportar aumentos de potência em várias frações, e ligações degradadas nos quadros de entrada provocam falhas que afetam vários vizinhos. Nestas situações é necessário envolver a administração do condomínio e, quando a intervenção é na rede, a E-REDES.
Sinais de que a instalação precisa de atenção
- Fusíveis que fundem ou disjuntores que disparam com frequência.
- Luzes que baixam de intensidade quando liga um aparelho potente.
- Cheiro a queimado junto ao quadro, tomadas ou interruptores.
- Tomadas soltas, partidas ou sem contacto de terra.
- Faíscas ao ligar fichas.
- Ausência de disjuntor diferencial no quadro.
Como modernizar com segurança
Nem sempre é preciso partir paredes de uma vez. Uma abordagem sensata é faseada:
- Inspeção da instalação, com medições de isolamento e de terra, para perceber o estado real.
- Substituição do quadro por um quadro moderno com disjuntor diferencial e circuitos separados.
- Execução ou reforço da ligação à terra e ligação das tomadas existentes.
- Substituição dos cabos degradados e criação de circuitos dedicados para cozinha, máquinas e climatização.
- Reforço do número de tomadas onde faz falta, para acabar com as extensões.
- Certificação da instalação junto das entidades competentes, quando a intervenção o exige.
Se vai remodelar a cozinha, a casa de banho ou pintar, é a melhor altura para renovar a instalação elétrica nessas divisões. Abrir roços antes de colocar azulejos ou estuque novo poupa trabalho e evita estragar acabamentos.
Porquê um eletricista certificado
Uma instalação antiga tem muitas vezes alterações feitas ao longo dos anos sem qualquer registo. É preciso experiência para identificar os circuitos, perceber o que pode ser aproveitado e adaptar tudo às regras técnicas atuais (RTIEBT). Como eletricistas certificados pela DGEG, fazemos o diagnóstico, apresentamos orçamento grátis e propomos as intervenções por ordem de prioridade.
